"Sempre que um cão sai das minhas mãos para uma nova família, desejo que o tratem tão bem, ou ainda melhor, que eu. Desejo que compreendam que o cão não entra na suas vidas para os fazer felizes, mas, inversamente, a ideia é eles fazerem feliz o cão."

Uma das coisas que mais gosto nesta casa é a amizade que os cães criam entre eles.

Há tempos conheci uma senhora que trabalha como voluntária num canil onde abatem todos os cães cujo teste de leishmaniose dá positivo.
O Talibocas tem leishmaniose perfeitamente controlada. Toma ¾ de comprimido Alopurinol diariamente e faz análises ao sangue com regularidade. Os resultados das análises indicam que não há progressão da doença. A única marca visível eram as peladas, mas com a remoção dos tumores dos testículos, percebemos que as peladas não eram provocadas pela leishmaniose, mas sim, pelas alterações hormonais originadas pelos tumores.
Lembro-me quando essa senhora viu o Talibocas olhou para ele de um modo que não gostei. Parecia dizer que não havia lugar para ele no mundo. Referiu as peladas e disse que o pelo nunca mais ia crescer…
Ora o Talibocas está óptimo, tem pelo a crescer por todo o lado. Ainda se nota a diferença porque os pelos ainda não têm o tamanho normal, mas é só uma questão de tempo!
Claro que essa senhora não tem nada contra o Talibocas, apenas aprendeu que os cães que têm leishmaniose são para abater.
É assim porque a solução mais fácil é sempre o abate. A mais fácil, mas não a mais eficaz! É que a leishmaniose não se transmite pelos cães contagiados, mas pelos mosquitos. De que serve eliminar os cães, se não se eliminarem os mosquitos?
Manuel, Lela e Lucy

Li um dos livros do Senhor César Millan em que ele contava como tinha lidado com cães ao longo da sua infância. Os avós viviam numa herdade ou quinta onde habitava uma matilha. Os cães não entravam em casa nem eram alimentados com regularidade. Acompanhavam o avô quando ele ia trabalhar para os campos e, caso ele se esquecesse do chapéu ou da enxada no campo, um dos cães ficava a guardá-la durante a noite. Claro que não havia qualquer controlo sobre a reprodução da matilha. Homens e cães coexistiam harmoniosa mas independentemente.
Claro que quando César Millan chegou aos Estados Unidos da América estranhou o modo como as pessoas se relacionam com os seus cães. Lembro-me dele referir que os cães felizes eram os dos sem-abrigo, pois acompanhavam-nos durante o dia em longas caminhadas, dormiam juntos e partilhavam a comida. Isso era o mais próximo possível da vida que os cães teriam se não existissem os homens.
Depois li o “Timbuctu” do escritor Paul Auster em que o narrador é um cão de um sem-abrigo cuja vida muda, quando o sem-abrigo morre, e acaba por ser adoptado por uma família. Claro que é uma obra de ficção, mas não me custa imaginar o alívio do cão por se livrar das pulgas e carraças que o infestavam ou o prazer que sentia em ser alimentado regularmente.
Olho para o Google, deitado ao meu lado no sofá vermelho, e sei que ele aprecia um longo passeio pelo campo mas, quando chegamos a casa, é o primeiro a entrar no portão e suspira de prazer quando regressa ao sofá. Será que ele apreciaria do mesmo modo o passeio se não tivesse a certeza de ter o sofá à sua espera no regresso?

Hoje fui às compras. Além das coisas que servem para encher o frigorífico e a despensa, comprei uma coisa que há muito tempo queria ter: um corredouro. Adorei.
Aproveitei ter os cordões da bolsa abertos e comprei também uma sineta para pendurar no portão. É que não tenho campainha. Até agora era o Talibocas que exercia essa função, ladrando sempre que alguém se aproximava. O problema do Talibocas era que não dava sinal apenas às minhas visitas mas a todos que passavam na rua, fosse a pé, de carro ou de bicicleta. Isso obrigava-me a estar sempre a espreitar para ver se se tratava de visitantes ou de meros transeuntes. A partir de agora (enfim, de quando a sineta estiver pendurada) vou ser avisada com maior acuidade!
Acho que as compras de hoje vão melhorar substancialmente a minha qualidade de vida!
Felizmente, o dia amanheceu sem chuva e as obras começaram! Finalmente! Pelo plano inicial já deveriam ter acabado há muito.
Se tudo correr como o previsto (que nunca acontece) daqui a quinze dias a Casa do Pinhal vai dispor de cinco belas boxes de 10m2 cada. Assim será mais fácil, acolher os cães que não são muito sociáveis e aqueles cujos donos preferem que fiquem separados dos outros.
Para já, o que tenho é um terreno cheio de lama, de marcas de tractor, de areia, cimento, tijolos…
Estou ansiosa para que as obras terminem e para me poder dedicar a criar um lindo jardim no que agora não passa de um lamaçal. Como não percebo nada de arquitectura paisagística, agradeço sugestões, principalmente no que concerne à cobertura do terreno. Relva? Que tipo de relva? Gostaria de algo que não necessite de muita manutenção e seja resistente a cães.

Chove. Quando não é a chuva é o vento que me empurra para dentro de casa. Gostava de passar mais tempo com o Zorba, mas ele também se refugia na sua casota/palácio e, lá de dentro, estende-me a pata como quem pede festas.
Acho que ele já se habituou à nova vida, às rotinas e ao espaço. É um querido. Gosta de sentar-se e apoiar as duas patas dianteiras em mim enquanto lhe faço festas.
A Spring continua linda. As patas continuam com feridas, mas ela não ajuda, lambendo sempre e roendo os pensos que lhe faço. Agora até o Talibocas a ajuda a lamber as patas! Vou arranjar-lhe um funil para a impedir de tirar os pensos e lamber as patas. É a única maneira.
O Google já tirou o penso e agora vai acabar de cicatrizar a costura ao ar. Continua magro mas anda mais animado.
O pelo do Talibocas está a crescer em todas as zonas em que tinha peladas, mesmo naquelas que eu pensava que já não iam recuperar. Está a ficar lindão.
Estão todos a perder imenso pelo. Há pelos pela casa, pelo ar, pelas roupas, por todo o lado…
Amanhã começam as obras, se não chover!

para lembrar....

Hoje foi um dia daqueles! Muitas correrias, telefonemas, pessoas… Claro que também houve tempo para os cães, para os mimos, para os passeios, para os curativos… Agora é tempo de paz.
Os cães já comeram e deitaram-se para descansar, que eles não querem saber das horas, é noite e basta.Eu respiro fundo. Amanhã é outro dia. Agora é tempo de paz.

Com o tempo, este blogue tem vindo a ganhar seguidores, pessoas interessadas em saber o que se passa na Casa do Pinhal, que desejam as melhoras dos cães, que torcem para que tudo corra bem, que me animam e me dão força para continuar a escrever.
Penso que não podem imaginar a alegria que me dá saber que há alguém do outro lado do ecrã. A todos vós, os meus mais sinceros agradecimentos. Muito obrigada.
A Safira já voltou para casa! :)

Talibocas de visita ao "palácio" do Zorba
Passeio pela Serra de Sintra, dia 14 de Novembro
"Mais um vez gostaríamos de celebrar o São Martinho convosco e que ocasião seria melhor para fazermos um belo passeio pela Serra de Sintra e comer umas castanhas?Estão assim todos convidados a participar no passeio que terá lugar no dia 14 de Novembro, com início pelas 10h da manhã à porta do nosso canil.A inscrição no passeio tem pagamento obrigatório, mas o valor fica ao critério de cada um. O cão que irá beneficiar com os donativos deste passeio é o nosso querido “tripé” Popeye, cuja conta no veterinário é enorme e ainda não a conseguimos pagar.Aqui ficam as fotos do nosso menino para que o conheçam e saibam quem estão a ajudar.
Pedimos a todos os que querem participar, que nos informem para que possamos calcular o número de castanhas a assar! As inscrições devem ser feitas para o email: info@apca.org.pt Contamos com a vossa presença!Nota Importante: deverá levar calçado confortável para uma caminhada de 2 horas, água, trela e coleira para o cão que irá passear e, claro, saquinhos, para apanhar os presentes."
Confesso que tenho falhado ao não ter feito ainda um poste sobre o Zorba. Em minha defesa digo que tenho estado à espera de conseguir uma boa foto, mas não é fácil. Amanhã conto ter ajuda para o fotografar. É que não consigo distanciar-me o suficiente para tirar uma foto porque ele está sempre ao pé de mim.
O Zorba é um cão lindo, parecido com um pastor alemão, mas dois tamanhos abaixo. É muito meigo e carente, o que é normal nos cães abandonados. Tem um pelo lindo e macio que dá gosto afagar.
Chegou no sábado acompanhado pelas suas muitas madrinhas (e um padrinho) e trouxe um autêntico enxoval. As madrinhas, além da ração para o menino, das mantas e das gamelas, tiveram a generosidade de trazer muitas prendinhas para todos os cães da casa. Em nome de todos eles: muito obrigada!
Fiz uma cama para o Zorba na casota grande (parece um palácio) e outra na garagem porque ontem choveu muito e ele lá tem mais espaço abrigado da chuva.
No primeiro dia não comeu, mas ontem já comeu bem ração e frango - afinal, qual é o cão que não gosta de frango?
É um cão que não sabe estar sozinho e ladra muito a pedir companhia. Por enquanto, até o apresentar a todos os cães da casa e enquanto a Spring estiver em cio, tenho de dividir a minha companhia, pelo que estou a tentar ensiná-lo a não ladrar. Sempre que não está a ladrar vou ter com ele e faço-lhe muitas festas e levo-lhe biscoitos. Quando ladra, ignoro-o.
O sorriso do Zorba? Preciso mesmo de tirar uma fotografia para mostrar. Vão ver…

Desapareceu no Algarve, Faro. É sociável com pessoas e animais e está educada. Quaisquer informações que possam ajudar a encontrá-la serão bem-vindas.
Obrigada
Os cães, como toda a gente, têm o seu timing. Um cão que muda de casa pode não estar preparado para comer nos primeiros dois ou três dias. Ou pode sentir-se na casa nova tão à vontade como na casa onde morava.
Na Casa do Pinhal aprendi que cada cão é único, reage e adapta-se de modo diferente à mudança.
Com a Spring passei uma semana antes de a começar a juntar aos outros. O Zorba está cá desde sábado e já está junto com o Manuel e o Talibocas.
Hoje de manhã, quando decidi que já estava na altura de juntar o Zorba com o Talibocas, duvidei se estaria a tomar a melhor decisão. É que a prudência aconselha a esperar. Depois pensei que a sabedoria consiste menos em conhecer as regras e cumpri-las que em adaptá-las a cada situação.
Acho que fiz bem em juntá-los. Estão a dar-se bem. Fazem companhia uns aos outros.
O Zorba já está a comer ração e passou uma noite tranquila, pelo menos, eu passei.
Acordei de noite com o barulho do cabo da vassoura a bater no chão do vizinho de cima e com o Manuel e o Zorba a ladrarem um ao outro. Não era um ladrar de agressividade, era mais tipo “ora agora ladras tu, ora agora ladro eu”. E dormir? Quando é que alguém dorme? Perguntei eu.
Levantei-me e fechei o Manuel na marquise para ele dormir. De caminho, aproveitei para limpar um charco que havia na sala, Google, Google, agora que estás melhor tens de parar com esta brincadeira!
O Manuel calou-se e o Zorba também. Veio para o pátio da frente, incomodando a senhora dona Girassol que começou a ladrar. O Zorba respondeu-lhe e eu comecei a ter vontade de bater com a cabeça nas paredes!
Levantei-me outra vez e vim falar com a Girassol, pedir-lhe que não ladrasse, que era de noite e que estávamos a tentar dormir.
Ela lá compreendeu e resignou-se à presença de um cão estranho. Cambaleei de volta para a cama a pensar que poderíamos finalmente ter algum sossego, quando um dos cães do vizinho resolveu entrar na conversa. Confesso que fiquei um bocado aliviada por poder partilhar as responsabilidades da barulheira nocturna.
Ainda mais aliviada fiquei quando o Zorba se rendeu ao cansaço e se calou finalmente. Outros cães, que não os da casa, continuaram a conversas, mas esse barulho é música para os meus ouvidos e pude finalmente pregar olho!
Não durou muito, quando voltei a abrir os olhos já era dia e as responsabilidades tiraram-me da cama.
Levei os meninos ao pátio para fazerem as necessidades e alimentei-os. Ocupada que estava com as tarefas matinais, nem dei pelo Manuel saltar a janela e ir ter com o Zorba ao pátio da frente. Quando reparei estavam em grandes brincadeiras. Deixá-los estar.
Finalmente reina o silêncio! Vou só dar o antibiótico ao Google, que está muito melhor, já comeu bem e bebeu água, e volto para a cama que estou meia bêbada de sono. Que noite!
Clicar na imagem para ler.
O Google está muito melhor. Hoje à noite, além de comer uma pratada de canja com frango, ainda foi disputar a gamela de ração com canja que dei aos outros. Já se levanta a pedir para ir à rua e não voltou a vomitar. Nem lhe dei o Rimadil, porque achei que não precisava.
Ele não tem dores na pata. Deixou-me mudar o penso sem refilar. Fiquei orgulhosa com o novo penso que está bastante catita. Assim fosse também com os pensos da Spring que não duram mais que umas horas…
O novo hóspede chama-se Zorba e é um cão muito tranquilo. Ainda não comeu, mas é normal isso acontecer enquanto não se habituam ao novo espaço. Não faz as necessidades no pátio pelo que tenho de o levar à rua com trela. Porta-se muito bem.
O Google tem muita sorte em ter tantos amigos, que lhe querem bem, que se preocupam com ele. Fico muito sensibilizada. Obrigada.
Ainda está em baixo de forma, mas já vai comendo frango e bebendo a água da canja. Vai começar a tomar Rimadil porque anda meio enjoado e pode ter dores.
Não me parece que ele tenha dores na pata, mas que anda enjoado anda. Fica com a boca cheia de saliva e faz os movimentos como se fosse vomitar. Felizmente, não voltou a vomitar desde anteontem.
Sinto-me cansada o que é natural porque passei a noite preocupada com ele, a levantar-me, a limpar os charcos…
Fui ainda abençoada com um xixi na minha cama, que é para não me queixar.
Ainda tenho de fazer os pensos da Spring e o do Google, além de me preparar para receber um novo hóspede e só me apetece deitar-me e dormir…
O dia não está a ser bom. O tempo está abafado, a anunciar trovoada. Dói-me a cabeça e não tenho vontade de fazer nada.
O Google não está a reagir bem; não come nem bebe. Só se levanta para ir lá fora fazer as necessidades e, mesmo assim, quase nada.
Está furioso comigo porque insisto em enfiar-lhe água na boca com uma seringa. Ele tem de beber.
Estou a improvisar uma canja para apelar à gulodice dele, acho que é a única maneira de o fazer ingerir líquidos.
Estou preocupada.
A lei mudou. Ainda não é a desejável, mas está a melhorar…
Chegou há pouco, com um penso na pata e ar abatido.
Abri-lhe a porta de casa porque sei que o que ele mais gosta é de estar deitado no sofá vermelho. Nem se mexe!
A fístula foi aberta mas não se encontrou nenhum corpo estranho. Agora vai cicatrizar lentamente. Mudo o penso dia sim, dia não até à sexta-feira da próxima semana, altura em que a ferida fica ao ar. Vai tomar antibiótico durante duas semanas.
Vamos ver como é que corre…

Hoje recebi uma notícia que me deixou muito contente: o Manuel vai participar no seminário de treino de cães a convite de uma das participantes.
Ela não pode levar o seu cão devido a problemas de agressividade. Assim, ela leva o Manuel que vai adorar estar com tantas pessoas e tantos cães!

O meu tão amado Google vai passar a noite na Clínica Veterinária de Santo Antão. Amanhã o Dr. Paulo vai anestesiá-lo e abrir o abcesso que ele tem na pata à procura de seja o que for que lá entrou. Pode ter sido um espinho ou uma pargana… É daqueles azares que acontecem. O aborrecido é implicar mais uma anestesia geral, mas não há alternativa.
Aproveitei para pedir ao Dr. Paulo para dar uma vista de olhos na Spring. Fez um orçamento muito simpático para esterilizar a menina. Veremos o que se pode fazer. Para já está com o cio, pelo que é preciso aguardar. Felizmente todos os machos da casa estão castrados. Imagino a rebaldaria que seria se não estivessem!
Hoje também consegui um orçamento (não tão simpático) para o projecto das obras que se tem vindo a arrastar. Pela minha ideia inicial as obras já estariam acabadas há uma semana, e ainda nem começaram…
Mas já está tudo preparado; material encomendado, os contactos feitos… Se, desta vez, ninguém falhar, dia 15 de Novembro já estarão terminadas e posso começar a plantar… Oxalá!